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Zinder

"Atlético, Atlético! Conhecemos teu valor. E a camisa rubro-negra, só se veste por amor". A frase do hino que impulsiona e emociona os torcedores do Atlético foi obra do meia-esquerda Zinder Nascimento Lins. Certamente, quando escrever esses versos aos 20 anos, Zinder tomou como base seu próprio sentimento de paixão e orgulho pelo manto sagrado atleticano.

Filho de militar, Zinder peregrinou pelo Sul do Brasil na infância. No início dos anos 20, começou a jogar futebol no Colégio dos Padres Jesuítas de Florianópolis. Mas como seu pai sempre vinha a Curitiba, tomou como hábito vir jogar, sem compromisso, no time juvenil do Atlético. Foi quando começou a relação de amor com o clube da Baixada.

Não demorou para Zinder descobrir sua vocação e talento para o esporte. Começou a carreira no Caxias, de Joinville. Em 1929, aos 19 anos, decidiu jogar em Curitiba, obviamente no Atlético. Logo em sua primeira temporada, ajudou o clube a conquistar o título de campeão paranaense invicto. Neste ano, o poderio ofensivo do time chamou atenção de todos, formado pelos competentes Levoratto, Marreco, Urbino, Zinder, Maranhão, Ary e Denizart. No ano seguinte, mais uma brilhante participação no Paranaense, com a conquista do bicampeonato invicto.

Foi durante as comemorações do bicampeonato de 29/30 que Zinder Lins decidiu homenagear o Atlético de uma maneira especial. Naquela época, era comum criarem-se versos para comemorar as principais vitórias e títulos, mas o diferencial de Zinder foi que ele compôs uma letra que servia para todas as vitórias da equipe, que poderia se tornar eterna. Ao invés de enaltecer apenas aquela conquista, ele optou por homenagear o próprio Atlético. Assim, ao som do tango, ritmo popular na época, Zinder compôs a primeira versão do hino oficial atleticano, já com o famoso refrão "e a camisa rubro-negra, só se veste por amor!"

Zinder ainda levantaria outras três vezes a taça de campeão pelo Atlético: foi peça importante do time nas conquistas dos Paranaenses de 1934 e 1936. Em 1939, ao lado de Caju, Cecatto, Naná e outros, formou o “Atlético Extra”, campeão da terceira divisão do Paranaense.

Dentro de campo, Zinder tinha como armas a técnica, o bom drible, a agilidade, visão de jogo e, principalmente, a sina de artilheiro. Fora, externava sua vocação de atleticano e sempre fazia questão de ser amigo de todos os que se uniam em prol das cores rubro-negras.

A partir de 1937, passou a dividir o dia-a-dia no clube com o trabalho de funcionário de rendas do governo. Como não podia treinar, passou à condição de reserva. Decidiu encerrar a carreira dois anos depois, dedicando-se exclusivamente ao serviço público.

Apesar de não mais jogar pelo Atlético, Zinder continuou acompanhando as coisas do clube de perto. Entre 54 e 55, aceitou o desafio de ser o treinador atleticano. Mas a sua arte era outra. Profundo conhecedor da história do Atlético e do futebol paranaense, Zinder teve como uma espécie de obsessão resgatar a história do clube, ajudando o historiador Heriberto Ivan Machado nas pesquisas para o livro Atlético, a paixão de um povo. Não chegou a ver seu sonho publicado, falecendo em 1990 – o livro foi lançado nas comemorações dos 70 anos do clube, em 1994.

Porém, seu legado era outro. Muito mais do que gols, belas jogadas e títulos, Zinder deixou uma herança ainda mais preciosa aos torcedores atleticanos. Herança, aliás, que foi transmitida de modo oficial. Ele doou seus direitos autorais sobre o hino para o clube, fato inédito entre os grandes clubes brasileiros. Ao compor, ao lado de Genésio Ramalho, a letra do hino mais bonito do Brasil, deixou o seu recado a todos os outros que passaram a vestir o manto sagrado atleticano: a certeza de que, dali para frente, a camisa rubro-negra, só se vestiria por muito amor.

Nome: Zinder Nascimento Lins
Nascimento: (RS), 1910
Posição: meia-esquerda
Clubes: Caxias-SC e Atlético
No Atlético: 1929 a 1939. Campeão paranaense em 1929, 30, 34 e 36.

 

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