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Julio
Julio nunca foi um craque. Não tinha técnica refinada, não era excelente nos principais fundamentos do futebol. Provavelmente nunca chegasse a ser um jogador de Seleção. Mas tinha algumas qualidades: era raçudo, dedicado e vestia com amor a camisa rubro-negra. Quando entrava em campo, era um representante do torcedor mais fanático das arquibancadas. Jogava para ganhar e não admitia deixar o campo sem ter dado 100% de seu esforço. Seu começo na carreira foi difícil. Jogou muitos anos na várzea de São Paulo como lateral-direita, até que tivesse uma chance em uma equipe profissional, a Ponte Preta. Porém, sua passagem pelo time campineiro foi muito breve e logo ele seguiu para o Nacional, onde trabalhou pela primeira vez com o técnico Alfredo Ramos, o "Polvo". Permaneceu seis anos no Nacional, até fraturar a tíbia e o perônio. Sua carreira estava ameaçada e nenhum clube quis apostar no jogador. Foi então que ele se lembrou de Alfredo Ramos, seu primeiro técnico no Nacional. Ligou para ele e pediu uma chance no Atlético, que Alfredo acabara de assumir. O técnico foi sincero: aconselhou Julio a buscar outro clube, pois o Atlético estava em uma situação muito complicada. Julio não quis. Sabia que o rubro-negro seria seu destino. Foi contratado, mas para sua posição já havia um titular absoluto: Djalma Santos. Por isso, Julio foi improvisado na lateral-esquerda, posição em que se consagrou a tal ponto de entrar para a Seleção dos melhores jogadores da história atleticana. Sua estréia foi contra o Seleto, em uma derrota. Depois, o time perdeu mais duas vezes. A torcida cobrou de todos os jogadores, menos de Julio. Ele já tinha virado ídolo. Coincidentemente, meses depois, o Furacão seria campeão vencendo justamente o Seleto, time contra o qual Julio fez sua estréia. Ídolo, mesmo com três derrotas, Julio achou que deveria retribuir de alguma forma os atleticanos. Como o Atlético estava em crise financeira, o jogador doou seu passe ao clube. A atitude foi muito bem vista pela torcida e, cada vez mais, Julio se tornava o "jogador da raça". Sua principal característica era a força física. Adorava dar carrinho, mas não se considerava um jogador violento, apenas viril. Permaneceu mais quatro anos no Atlético e aposentou-se. Atualmente, o ex-jogador é funcionário da Copel, mora em Curitiba e criou uma família de atleticanos. “Minha família não é torcedora do Atlético, é doente”, definiu. Julio foi eleito para integrar a Seleção dos 80 Anos do Atlético.
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